Em busca dos holofotes, credibilidade se torna diferencial para marcas
- Publicado por NB Press

- 24 de jun.
- 3 min de leitura

*Por Deborah Fecini, assessora de imprensa e head de núcleo da NB Press
Existe um equívoco recorrente na forma como muitas empresas estruturam sua presença de marca, ao concentrar esforços quase exclusivamente em canais próprios e pagos, como redes sociais, mídia digital e influenciadores. Embora sejam espaços fundamentais, limitar a construção de marca a esse ecossistema reduz o alcance, empobrece a percepção e, principalmente, compromete a credibilidade.
Uma marca sólida depende de presença consistente em diferentes frentes, com linguagens, dinâmicas e níveis de validação distintos. Nesse contexto, a imprensa ocupa um lugar estratégico justamente por oferecer algo que os demais canais não conseguem replicar com a mesma força, que é a legitimação externa.
Ao contrário da comunicação controlada, na qual a empresa define integralmente a mensagem, o ambiente editorial envolve curadoria, apuração e, muitas vezes, análise crítica. Quando uma marca conquista espaço nesse território, ela não está apenas ampliando a visibilidade, está sendo reconhecida como relevante dentro de uma lógica que não depende exclusivamente dela. Esse tipo de validação tem peso direto no modo como diferentes públicos constroem confiança.
Isso não significa que a imprensa substitui outros canais. Trata-se de um efeito complementar. Redes sociais contribuem para proximidade e frequência de contato, campanhas pagas aceleram alcance e conversão, enquanto a presença editorial reforça reputação e autoridade. Quando esses elementos atuam integrados, o resultado tende a ser mais consistente e duradouro.
Outro ponto importante é a profundidade da narrativa. Em ambientes próprios, a comunicação costuma ser mais direta e orientada a objetivos específicos. Já no espaço editorial, há oportunidade para contextualização, desenvolvimento de temas e associação da marca a discussões mais abrangentes. Isso amplia o repertório de percepção e posiciona a empresa de maneira mais qualificada no imaginário público.
Ainda assim, é comum encontrar organizações que tratam a relação com a imprensa de forma pontual, quase sempre atrelada a anúncios ou momentos específicos. Tal abordagem limita o potencial do canal e reduz sua contribuição estratégica. Construção de marca exige continuidade, presença recorrente e alinhamento de discurso ao longo do tempo, não apenas aparições isoladas.
Também vale destacar que a dinâmica da imprensa evoluiu, acompanhando as transformações do consumo de informação. Hoje, conteúdos editoriais circulam em múltiplas plataformas, dialogam com o ambiente digital e alcançam audiências diversas. Ignorar esse movimento é abrir mão de um espaço relevante de influência, especialmente em um cenário onde credibilidade se tornou um diferencial competitivo.
Marcas fortes são aquelas capazes de manter coerência e relevância em diferentes contextos. Apostar em um único canal pode gerar resultados de curto prazo, mas dificilmente sustenta percepção no longo prazo. Integrar presença, construir narrativa e buscar validação externa são caminhos mais consistentes para quem entende que reputação não se controla, se constrói.
*Deborah Fecini é assessora de imprensa e head de núcleo da NB Press, agência especializada em assessoria de imprensa.

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